Irremediavelmente era amor. Dois meses e ela não saia de
sua mente. Habitando seus pensamentos desde o primeiro respirar da manhã é o
ultimo fio de pensamento da noite. Mas
estava longe agora, noutro canto do país, talvez vivendo suas próprias histórias,
sem lembrar-se do amor que deixará em sua terra. Ele sabia que ela merecia a
felicidade, mas lhe doía pensar que não seria com ele. Tantos haviam sido os
planos conjuntos, mas nenhum agora tinha sustentação diante do silencio e das
duvidas que povoavam sua mente. Do vazio solidificado em suas entranhas.
Tardes de outono são melancólicas por definição pratica.
Tem em si uma inebriante nostalgia. Aquela em especial tinha as marcas da
enorme falta que um jovem amante sentia de sua amada. Que em outro tempo estava
tão próxima a ele demostrando seu amor em cada gesto, em cada toque, em cada
olhar. Mas que há muito partira para longe, levada pela vida que caminha por
estradas desconhecidas e enreda outras trilhas para cada pessoa.
O telefone não tocava mais antes dele ir para cama, o
perfume dela já não era sentido pelo quarto. Não tinha uma mensagem de bom dia ao
acordar, e o cheiro de café fresco não lhe chegava ao nariz, antes que pudesse
abrir os olhos. Sem ela a casa era triste, mórbida, e seca, como se feita do ar
outonal lá de fora.
Mas contra a vida não se luta, não se esmurra, não bate o
pé e faz beicinho. A vida age no imperativo, e simplesmente se aceita ou não as
decisões que ela impinge a nós, mas de qualquer forma ela segue seu fluxo. Não
precisa de permissão pra dar prosseguimento. Flui como água em cachoeira, sem
precisar de intromissão humana.
E ele embora não quisesse aceitou a perda. Podia ter
lutado, esbravejado, mas não o fez no tempo certo a vida lhe deu o amor dela, e
no tempo que achou conveniente a levou embora. E o deixou ali a esperar que
outros amores pudessem chegar.


Nenhum comentário:
Postar um comentário