Primeiro Amor


No inicio era espanto!

Do assombro, para o estado contemplativo, buscando entender coisa tão monumental, e tão nasceu à admiração, já não era espanto, mas continuava a ser uma admiração contemplativa. Em silencio exterior quase apalpável, emudecendo a voz interior que insistia em se manifestar. Ele nunca tinha visto tão morena, tão majestosa, tamanha manifestação de pureza e doçura. Em suas madeixas encaracoladas havia mistério e fascinação. Era linda, de uma beleza estonteante, com olhar simples e absurdamente apaixonante, como advinda de um dos romances que ele vorazmente devorava nos fins de tarde após o trabalho.

Como se o cérebro relutasse em não acreditar na doce imagem que a retina lhe enviava, ele ficou ali olhando fixamente para doce garota, sem usar palavras. Elas bem que poderiam corromper este momento etéreo. Ela sentiu os olhos sobre ela, devorando, despindo sem tocar, admirando, cultuando sua beleza. Como se uma onda de calor varresse seu corpo a cada respiração. Sem ter a certeza se era incomodo por ser tão firmemente observada, ou prazer por ser incisivamente desejada por aqueles olhos gentis.

A timidez dos moços novos o impedia de se aproximar mais, queria saber o nome do anjo que o fascinava, queria em um rompante rouba-lhe um beijo, seu primeiro beijo. Ela garota menina em seus primeiros sonhos românticos, nada de flete sabia, não ousaria por toda a vida se aproximar. Oferecer seus lábios nunca antes tocados por boca estranha.

O momento inicial foi se desfazendo, a pulsação tomando ares de normalidade. O cérebro voltando a suas funções normais, e ela continuava ali linda, morena e com frescor na pele, como em um convite para sua aproximação. Os sons do parque novamente tocaram seus ouvidos, os rangidos do carrossel, os baques dos carrinhos de batida, a buzina do vendedor de algodão doce. Ele olhou para a roda gigante, para os tickets em sua mão, que oportunidade melhor teria de ser gentil. Ergueu os bilhetes balançando para lhe chamar a atenção. Ela notou no primeiro instante, ergueu a mão também mostrando que tinha os seus. Com um aceno de cabeça a convidou para a roda gigante. Ela sorriu, falou ao pé do ouvido da amiga e foi na sua direção devagar.
- Prazer Giovanni
- Prazer Nicole – Dois beijinhos no rosto foram trocados
- Alto, não? Tem medo?
- Não, adoro Roda Gigante. E você? – Ambos estavam claramente sem graça.
- Já tive um dia, mas não agora, não com você.


O sangue lhes procurou o rosto e ali se depositou, coraram como pimentões muito vermelhos. O operador do brinquedo lhes ofereceu um lugar, e a enorme roda começou a girar. Ali no alto tão mais próximo ao céu ela lhe pareceu ainda mais angelical, embora estas palavras lhe faltassem na hora, ele desejou dizer que era a garota mais bonita que já pudera avistar. A luz do luar seus olhos pareciam ainda mais vividos, mais fascinantes. Ficava mais fácil entender porque ela seria seu primeiro amor. Timidamente escorregou a mão pelo espaço entre eles, até encontrar a mão dela, primeiro tocando-lhe os dedos suavemente, e então sob seu consentimento pegou-lhe a mão e envolveu na sua. Não houve muitas palavras naquelas voltas da roda gigante, nem beijo roubado. Bastaram olhares, toques suaves de mãos e a Lua como testemunha. 

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