"Se existem opções na vida, ela a cada dia optava por sorrir."
O frio lá de fora não podia atingi-la, desde que conseguisse manter seu coração aquecido por bons sentimentos. O mundo que sempre conheceu estava acabando, se desfazia em pedaços enormes, e tudo que restava de ligeiramente familiar, era o frio. Mesmo que esse frio de agora fosse totalmente diferente de tudo que já sentirá. As coisas sempre parecem mais fortes quando estamos sozinhos, ainda mais quando envolve sentidos.
O medo de estar lá fora era menor do que o de estar presa dentro de si mesma. Nossas mentes são as piores prisões que podemos estar, e são nossos melhores sentimentos, e nossas mais nobres intenções que podem nos destruir. Ela não queria se perder de tudo que aquele lugar representava em sua vida, de tudo que lhe era comum, agradável, no entanto sabia que o apego impensado a certas coisas poderia custar mais caro, do que custo de abrir mão.
Sua vida não era perfeita!
Ela tinha sorrisos para cada situação, mas chegou um tempo que faltou situações para seus sorrisos. É triste ver um sorriso morrer antes de ser doado, visto, admirado. Partes do mundo se descolam, perdem o brilho, morrem. Sorrisos precisam ter um alvo, não são dados a toa, mesmo quando parece que sim.
Ela queria consertar o mundo. E o mundo não estava disposto a cooperar.
Ela sofria por ver as perdas. Mas ninguém parecia se importar.
Ela se deixava guiar por suas emoções. Os outros tentavam se aproveitar dela.
Quando encontrava um sorriso novo, ela se apaixonava, era difícil entender que nem todos sorriam com verdade.
Às vezes usavam sorrisos como arma de enganação. Ela não entendia porque não podiam usar a verdade.
Eles estavam fatidicamente fadados a triste condição da falta de esperança.
As cordas de seu coração se rompiam.
Era como se partes suas descessem pelo ralo, e fossem perdidas para sempre.
Irrecuperáveis, mortas pelo cinismo do mundo.
Ela esperava que algo mudasse antes que todo seu eu fosse destruído.
Não se pode recriminar alguém por acreditar sem jamais desistir.
Uma sonhadora tem o direito de sonhar, ao perceber que tudo redor foi contaminado pela dor, e destruição.
Tem sim, e ela sonhava como ninguém era capaz.


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