Pela janela do meu quarto eu a vejo, com olhar perdido no céu, sem dúvidas tem passeia longe em terras de sonhos. No muito tem dezesseis, chega ser perigoso confessar que observo tal ser, há sempre a possibilidade de um idiocrata leia, e com mau entendimento, isso é próprio desses seres que se auto intitulam defensores de causas alheias, pois bem é bem capaz que um desses leia, e decida que sou perigoso para a garota. Bobagem se quer saber, apenas encanta o modo como ela se perde em seus próprios pensamentos.
Noutro dia cruzamos na rua, ela não tinha o olhar no céu, pois se tivesse teria sofrido um acidente. Andam tão esburacadas as ruas da cidade. Assim que cruzamos ela saudou com um educado bom dia, e retribui o cumprimento, aproveitei para observar mais de perto por alguns segundos. Tem mesmo o jeito de menina sonhadora que percebia ter quando avistada daqui da janela.
Nosso breve encontro casual, em via pública, com dia claro, fez-me pensar um pouco mais sobre a garota. Chamo de garota por desconhecer por completo o seu nome. Quase nunca a vejo pelas ruas do bairro, se sai nossos horários nunca são os mesmos. Deve frequentar colégio, mas nunca a vi trajando uniforme, como tantas outras que veio por ai. Tem nos cabelos um tom muito próximo ao preto, e olhos muito expressivos. Quase certo que não tenha namorado. Você logo nota quando uma garota está enamorada por alguém, a presença do par se faz presente mesmo estando ele ausente. Talvez seja no garoto dos sonhos que ela pensa ao fitar o céu nas tardes.
Seus pais devem ser daquele tipo que se apresentam a filha com orgulho, como sendo o maior troféu de suas vidas. As poucas vezes que vi sua figura paterna ele mantinha a filha por perto, mesmo que alheia a conversa que ele tinha com o vizinho. A mãe, eu vejo com mais frequência indo, e vindo de lugares do bairro, tais como o supermercado, e a padaria. Poucas vezes traz a filha junto a si. O que me faz pensar que a garota é o tipo que prefere ficar em casa, ou na casa de amigas próximas. Essas são é claro suposições, nada de comprovado. A rotina da família desconheço por completo.
Tudo que sei com certeza é que antes o sol se por lá está a garota na pequena sacada, com o olhar mirando o nada, talvez para ela o todo, e alô fica até que a noite caia sobre a cidade, fazendo com que seus edifícios ganhem luzes em tons de branco e amarelo. E sempre que a posso observar fico a me perguntar, o que está a pensar a garota na pequena varanda do prédio ao lado?


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