França, 30 de outubro de 2006
Estava frio, mas fazia 30° graus lá fora, e Willy não entendia. Sentia frio as vezes, sabia que era febre, mas hoje parecia estar mais forte. Sentiu medo, angústia... temeu, pela primeira vez, pela morte. Ainda tinha dezesseis anos, queria viver a vida. Sabia sim que esse dia chegaria, sabia que um dia seus país iriam chorar por sua morte, que iria chegar os dias de seu aniversário - dezessete de dezembro - e ela não estaria presente; isso doía nela, doía até mais que as dores que sua doença lhe causava. Pensou também no João, seu irmão mais velho. Ele sempre cuidou dela, mesmo quando não tinha tempo e precisava estudar para a faculdade, ele ia lá, com toda a paciência e cuidava da irmã. Sentia amor por fazer isso, mas as vezes lhe atrapalhava; não chegou a interferir em sua formatura - coisa que aconteceu meses atrás -, graças à Deus, mas foi apenas um empecilho que ele passou por cima.
Willy se vira na cama e encara a parede. Por um momento pensou em todos os momentos felizes que passou ao lado de Thierry. Ela o amou, mesmo sem ele saber, ela o admirava; pensava ela que ele não poderia gostar dela - coisa impossível para uma pessoa como ela: que tem aquela doença. Ver Thierry sorrir fazia Willy, mesmo que por segundos, sorrir e esquecer as dores, esquecer que tem isofônia, esquecer que pode morrer a qualquer momento.
Uma dor ultrapassou seu peito. Ela gritou. Em questão de minutos seus pais já estavam no quarto. Willy não conseguia falar: a dor era tremenda, não havia como. E, de repente, como se apaga a luz de um cômodo, Willy apagou nos braços do pai.
Com muita pressa, Sr. Colb carregou a filha nos braços até o carro. Sua esposa chorava, e ele tentava, sem sucesso, se fazer forte, mas não conseguiu. Quando colocou a filha no banco de trás do carro, pensou no que a doença dela poderia lhe trazer, pensou no futuro sem a filha; em como seria aquela família sem os gritos de alegria dela, sem as sessões de fisioterapia que ela fazia na piscina da casa...
Chegaram no hospital minutos depois. Willy ainda estava desacordada, o que fazia os pais ficarem cada vez mais desesperados. Ela foi levada para a sala de cirurgia e seus pais ficaram na sala de espera.
A Sra. Colb pensou em como seria sua vida sem a filha, pensou em como teria uma vida normal sem Willy por perto. Como seria sua rotina agora?
Acordar, pensa, ir ao quarto dela, a arrumar, ir à escola...
Isso não poderia ser feito mais, não poderia ter Willy em sua vida mais!. Quando ela contou isso ao marido, ele lhe disse para ter fé, e esperar que, ele tinha certeza, ela estaria curada, e não seria hoje que morreria... Sra. Colb acreditou, lembrou da filha nos tempos felizes - antes de ser infectada por esse vírus -, e sorriu. Ela era uma garota feliz. Queria acreditar que isso não mudaria, queria acreditar que a vida dela duraria... mas seria em vão, seria atoa alimentar esperanças de uma coisa que todo o mundo sabe que não vai acontecer.
Passaram-se horas e só então ouviu-se o nome dos pais de Willy sendo ecoado por um médico. Ele lhes disseram que ela queria vê-los.
Foram até lá com o coração "na mão". O Sr. Colb nunca sentiu tanto medo em sua vida. Nunca sentiu o que estava sentindo agora. Talvez fosse a dor do que o esperava dentro daquela sala, ou talvez seja apenas uma ansiedade.
Ela estava deitada na cama com um sorriso no rosto olhando a porta. Seus pais si questionaram o porquê de tal sorriso, mas não quiseram saber, estavam felizes por ver algo no rosto da filha que não viam a dias!
- Mamãe... - Sua voz era angelical. - Papai... amo vocês, mas - Ela tosse - só falarei quando o João e o Thierry estiver aqui.
Seu pai corre até a sala de espera e rapidamente liga para o filho que estava no trabalho e liga para o amigo da filha. Não sabia o motivo de sua filha querer seu amigo ali, mas não quis pergunta-la.
Quando João adentrou o carro para ir ao encontro da irmã no hospital, sentiu uma angústia, um medo, uma raiva, e o pior de todos: solidão. O que houve com ela? Não se conformava de algo tê-la acontecido. Não podia. Simplesmente não!
João chegou no hospital soando frio. Foi correndo até o quarto que a irmã se encontrava e entrou. Ali estava sua família e Thierry. Sem pensar duas vezes, ele correu até o leito da irmã e chorou ali. Não entendeu o motivo dela estar com um sorriso no rosto, e quando perguntou, se surpreendeu com a resposta:
- Estou feliz por ver as pessoas que eu amo ao redor de mim em meu último momento de vida. Thierry... - Ele se chegou perto dela - eu te amei durante toda a minha vida, e eu te peço que seja feliz. Viva sua vida sem se lembrar de mim, viva a sua vida sem lembrar que eu precisei de você um dia na minha doença. Lembre-se de mim no momentos bons, como o dia em que fomos no parque, que nos beijamos... lembre-se disso.
"Mamãe, papai, não lembre de mim só nos momentos tristes, lembrem-se do meu nascimento, lembrem-se dos dias em que saíamos para o parque, e brincavamos juntos... lembrem-se da filha feliz que vocês tiveram.
"João, quando acordar a noite para pegar um copo com água, e se passar no meu quarto, lembre-se dos tempos que eu atrapalhava seus relacionamentos, lembre-se dos tempos que eu dizia que suas namoradas eram feias na frente delas... João, lembre-se da irmã feliz que você tinha..."
Ela se vira e olha nos olhos de cada um e diz:
- Lembrem-se de mim, quando estiverem tristes, mas não para ficarem pior, para se lembrarem que os amei até os últimos segundos de minha vida.
E expirou.
- Eu te amei, e sempre vou amar - diz Thierry.
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** História baseada em Fatos Reais


Um texto um tanto triste. porem lindo... Parabens
ResponderExcluirObrigado ^^
ExcluirObrigado ^^
ExcluirColunista nova? Seja bem vinda... Gostei do seu Texto parabéns Sully
ResponderExcluirNé ? O Contexto voltando com caras novas... Tô adorando
ExcluirValew girls! Que bom que gostaram! Fico muito feliz :)
ExcluirMuito bom, você tem talento... Parabéns
ResponderExcluirValew ! :)
ExcluirValew ! :)
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