Os sonhos devem nascer em algum lugar especial, onde é preciso se estar em total estado de relaxamento para se poder acessar. Mas do que eles são feitos? De esperança, vontade, desejos? São tantas coisas das quais podem ser feitos. No entanto naquele momento Grace apenas desejava que um desejo se realizasse. Ela queria novamente ver os olhos de Nando, o garoto que amava. Mas não tinha esperança que fosse possível, pois a cada minuto sentia suas forças se esvaírem de seu corpo. E de repente ela era só lembranças, e sendo assim se liberou.
Ela era novamente uma garotinha de 5 anos em seu primeiro dia na escolinha. Com seu pequeno uniforme Branco e vermelho, cabelos amarrados em duas Marias Chiquinhas, e os olhos muito verdes e assustados com tudo ao redor. Ela está no que lembra ser o pátio da escola, de onde pode ver a mãe relatante em deixar o portão. Grace sabe que naquele dia a mãe ficou ali até quase a hora do Recreio, sabe que ela chegou em casa chorando por ter deixado sua pequena na escolinha. E que nos dias seguintes ela se culpou muito por não poder cuidar ela mesma da filha naquele tempo. Isso foi uma das coisas que mais ouviu em seus dezesseis anos, e agora podia entender os sentimentos da mãe, já que ela mesma queria agora ter um vão de portão para espiar como estava seus pais. Mas agora ela nem sentia ter um corpo, era apenas lembranças de uma vida que cada vez menos parecia ser a dela.
Enquanto ela estava perdida em seus pensamentos uma mulher a observava, ela levou um susto ao se dar conta disso. E soube que conhecia a mulher, mas de onde não lembrava. Então a moça pegou suas mãos, e seu toque foi tão macio, tão carinhoso que de repente veio um nome em sua mente: Ana Clara. É claro ela constatou o olhando para si, ela era a Grace de cinco anos, logo aquela era sua professora da escolinha. Como ela pode esquecer dela? A mulher caminhou com ela por um corredor deserto e com muitos objetos conhecidos. Porém era incrivelmente branco, ela começou a não querer mais estar ali. Olhou para a professora e se lembrou com exatidão dela. Ana Clara tinha sido uma das professoras dela na escolinha, mas teve que ser substituída precocemente, pois sofreu um acidente de carro com o noivo, e faleceu. Quando a garota se deu conta disso, novamente olhou para a professora, que lhe sorriu. Foi quando ela percebeu que na verdade a professora tinha vindo busca-la, então rapidamente soltou sua mão e saiu correndo para o lado oposto... Tudo que queria era sair dali, ir para outro lugar.
Cont...


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