O plano era bem simples na verdade quando Florêncio Lindenberg chegasse a Vila um dos vigias dariam um sinal a Tummin que iria avisar Jônatas para começar a perambular pela rua de modo que ele fosse o primeiro a ser visto pelo homem. Assim que o contato fosse feito todas as atividades deles seriam monitoradas. O garoto levaria o homem para a antiga casa dos Borbas Alencar onde encontrariam os outros e havia câmeras espalhadas por todos cantos da vila e da casa. Tudo estava pronto!
Como esperado no dia seguinte no início da tarde Lindenberg chegou a Vila, com certeza ele não fizera o mesmo caminho que os garotos. Como a Polícia tinha sido informada de uma caminhonete diferente vindo em direção a Vila via São João de Maraca. Ele chegou e estacionou perto de uma das casas que beirava a floresta, desceu do carro e tentou forçar a porta, mas ela se abriu sem esforço, a fechadura fora arrombada, dando a impressão que fora os jovens ou algum desocupado da cidade, mas na verdade ela tinha sido arrombada pelos policiais que forjaram o arrombamento. Ele observou por um tempo e decidiu que o lugar estava bom. Ele descarregou a picape e foi andando pela Vila, assim que ele virou a esquina uma equipe da Polícia e de auxiliares foi a casa instalar pequenas câmeras e formar o cerco. O homem andou um pouco até encontrar Jônatas próximo a praça. O garoto e os amigos decidiram que seria mais eficaz se ele começasse a ser ríspido de imediato quando se encontrasse com o homem.
- Você é o senhor Lindenberg?
- Ao seu dispor rapaz. Você e?
- Jônatas, um dos otarios que você enganou. Dizendo que o seu chalé e as redondezas eram seguros. Quase perdemos uma amiga!
- Lamento por vocês, mas temo que nunca tenha falado de segurança com você. Na verdade jamais nos falamos.
- Não importa tudo que queremos é que devolva nosso dinheiro e nos tire daqui.
- Isso pode ser providenciado, mas antes preciso saber como foram se perder e vir parar neste lugar... enfim neste lugar. E também se seus amigos estão tão descontentes.
- Você é surdo, já disse o que queremos, posso te levar aos meus amigos, mas eles dirão que o que disser para ele falarem.
- Então vamos de uma vez, quanto antes encontrarmos seus amigos conseguiremos o que desejamos.
Jônatas se sentia mal por tratar o homem daquela forma, pois mesmo ele sabendo das atrocidades praticadas por Lindenberg tratar alguém com falta de educação e desprezo ia contra toda a boa criação que seus pais tinham lhe dado. Então mentalmente ele ia dizendo para si mesmo que aquilo era necessário e que era tudo para um bem maior. Aquele homem precisava ser parado o quanto antes, e a policia estava do lado dele. Nada iria sair errado.
Quando chegaram ao lugar onde os outros jovens esperavam Jônatas deixou que os amigos seguissem com a parte deles do plano. Maria Eduarda começou:
- Senhor Lindenberg que bom que nos encontrou. Agora enfim podemos sair deste lugar fantasma.
- O seu amigo vinha me dizendo que vocês querem ir embora, entao logo vamos voltar ao meu chalé para vocês pegarem seus pertences.
- O senhor é surdo por acaso, deve ser né, porque eu já disse mil vezes que não queremos voltar ao seu chalé imundo. Queremos ir para casa.
- Calma Jônatas o senhor Lindenberg so esta tentando ajudar.
- Caio nós não precisamos da ajuda dele. Precisamos?
- Se você diz que não mano, então não precisamos.
- Viu como eu lhe disse eles farão o que eu mandar fazerem - A voz dele começou a sair tremula diante dos olhares penetrantes do homem
- Pois bem, seja como vocês quiserem. Você parece o líder por aqui, entao talvez queira me ajudar com uma coisa. Deixei minha camionete em uma pequena casa na orla da floresta. Você faria o favor de me acompanhar até lá e no caminho me falar como posso compensar vocês pelos transtornos que tiveram?
Jônatas não esperava que fosse tão fácil convencer o homem que ele era uma ameaça. Mas a decisão era dele, não podia se comunicar com os amigos locais. Ele ja tinha entrado no jogo então agora tudo que poderia fazer era jogar pelas regras do homem.
- Não vejo porque isso, mas é claro que vou se isso fizer a gente sair deste lugar terrível. Caio e Ricardo vocês ficam no comando enquanto eu estiver fora... Arrumem tudo para nossa partida.
- Pode deixar Mano, tudo estará em ordem - Caio respondeu imediatamente.
- Podemos ir então meu jovem?
- Já disse que sim, o senhor na frente, por favor, eu ja o sigo.
As casas no decorrer da rua estavam em silêncio, e apesar de Jônatas saber que elas estavam cheias de policiais e amigos, ele sentiu um frio na espinha ao olhar ao redor enquanto caminhava pelas ruas em companhia de Lindenberg. O vento também faziam sons mais fortes ao passar pelas folhagens das árvores na orla da vila. O garoto era corajoso e forte, mas como a adrenalina que percorria seu corpo fazia com que ficasse alerta demais para não perceber cada detalhe ao seu redor. Seus sentidos estavam aguçados e em alerta máxima sabendo que em breve seriam postos a prova. Afinal ele não fora enganado e por tanto sabia que teria de levar a situação até o mais extremo e contar com a sorte para que o homem estivesse tão empolgado em ter uma safra de vítimas tão grande de uma vez que avançasse a guarda, mesmo que por alguns instantes e confessasse outros crimes do passado. Se a missão fosse bem sucedida então ele poderia até sair ferido de alguma forma, mas teria tirado aquele psicopata do convívio com a sociedade. O homem ia calado tomando sempre a dianteira sobre ele. Então por apenas um segundo Jônatas viu uma luz de lanterna acender em uma janela um pouco depois que o homem passou pela casa azul antes de uma curva acentuada. Foi um sinal rápido e fraco, mas o suficiente para renovar suas forças e sentir os amigos mais próximos dele bem a tempo do homem anunciar que a casa era aquela proxima a Mata. Na porta da casa Jônatas notou outro sinal dos amigos, e ficou grato por Lindenberg não ter notado ou desconfiado do nome Tummin escrito em letras pequenas em tinta spray Preta.
A casa tinha os mesmos sinais de que a muito não era usada que as outra casa da vila, o que a diferenciava era o carro parado próximo e a enormes bolsas jogadas pela sala. O homem foi logo justificando:
- Meu jovem você não precisa se preocupar estas são apenas algumas coisas que trouxe de minha última temporada de caça. Na verdade acabo de chegar em de uma caçada, foi uma surpresa quando recebi o e-mail de vocês dizendo estarem perdidos. Não tive nem tempo de deixar estas coisas em minha cabana de caça.
- Não estou preocupado, sei que certeza que hoje sairei daqui quando tivermos encontrado uma maneira de meus planos serem realizados. E que eu e meus amigos possamos ir embora juntos.
- Você é um jovem extremamente confiante, já faz muito tempo que não encontro alguém como você. Seus pais devem ser orgulhar muito do filho confiante e inteligente que criaram... Confesso que um tanto insolente tambem.
- É certo que se orgulham, mas tenho certeza que discordam da parte de eu ser insolente - Jônatas estava seguindo o plano de manter a atenção do homem nele, de modo que os amigos não parecessem tão atrativos para o homem - A verdade é que gosto de bons desafios, ainda mais quando me deparo com alguém que pensa saber algo. É prazeroso mostrar que na verdade a pessoa apenas vê um lado do prisma - Foi inevitável pensar se estava indo longe demais, mas agora como em um jogo de vôlei ele já tinha levantado a bola, teria de cortar - Isso me lembra que devíamos estar fazendo algo aqui, ou estou enganado?
- Sempre a futilidade e o desprezo juvenil, vocês realmente acham que detém a sabedoria do mundo. Chego a ter pena às vezes, mas sempre acabam descobrindo que não podem se manter tão pedantes por muito tempo.
- Posso estar errado, mas duvido que o senhor com todos seus anos saiba o real significado de ter o poder nas mãos. O verdadeiro poder que pode influenciar pessoas, decidir destinos ou mudar suas trajetórias. Para mim você apenas parece mais um destes amantes se palavras cruzadas e livros empoeirados sobre gatos e suas manias.
- Sim, esta decidido você está na categoria dos jovens inteligentes, mas que inspiram pena por não saberem como aproveitar seu potencial. Sabe eu estava pensando em guardar isso para mais tarde, mas agora vejo que você necessita muito de uma lição. Creio que seus amigos não irão a lugar nenhum sem seu pedante líder - o homem foi vasculhando em uma das bolsas enquanto Jônatas olhava um quadro na parede desejando não parecer nervoso ou ansioso - E se eles pensarem em ir com certeza se perderiam novamente não é? - Antes que o garoto pudesse se virar e olhar para ele o homem já enfiava uma fina agulha em seu pescoço injetando algo nele.
Sentindo o corpo amolecer e as vistas escurecerem Jônatas só teve tempo de dizer duas palavras na esperança dos microfones e câmeras capturarem:
- Fui dopado!
Faixas de luz entravam e saíam de foco a cada segundo, seus sentidos lutando para voltarem de uma vez, sua consciência estava forte o suficiente para saber que ao seu redor algo estava sendo preparado. Ele se lembrou que estava numa vila e que precisava tirar algo de alguém, mas assim como sua visão ainda não estava em foco, sua mente ainda não trabalhava direito. Alguns segundos depois ele se lembrou estava ali em uma missão para ajudar a Polícia e os amigos a prender um terrível assassino. E para isso ele tinha se oferecido para ser a isca perfeita para o psicopata, e que ele estava sozinho numa casa da vila com o tal homem. E que em instantes iria acontecer, o homem iria tortura-lo e mata-lo e ele precisava retornar antes que fosse tarde demais. A casa estava sendo vigiada pela Polícia que instalará minúsculas câmeras, então se não tinham agido ainda era porque tudo estava sobre controle. Sua visão retornou ao foco e ele viu novamente o rosto de Lindenberg que arrumava utensílios e outras coisas ao redor do garoto. Quando notou que Jônatas o encarava o homem disse:
- Olhe só você é muito forte também, eu esperava que despertasse quando tudo ja estivesse preparado para a festa, mas vejo que não quis se atrasar. Isso quer dizer que verá alguns preparativos. Sou bem metódico com isso, então não adianta pedir ou implorar que eu não irei adiantar qualquer etapa.
- Na verdade eu estava pensando o que faz um velho como você fazer algo assim.
- Porque não noto medo em seu olhar ou voz? Será mesmo que sua confiança juvenil faz de você tão tolo. Alguns por muito menos choraram como bebês desesperados pelo colo materno.
Era ai que Jônatas precisava chegar.
- Não vou implorar por nada. Se decidiu isso e conseguiu me prender a esta cama com amarras de couro - Era uma dica para os policiais, apenas para garantir que soubessem que não podia se defender - de modo que não posso me soltar. Então não vou te dar o gosto de me ver implorar pela minha vida. Apenas quero algumas respostas. As quais me deve ja que irá me matar.
- Deixe-me pensar sobre se um homem morto merece respostas... Tudo bem! Vou te responder algumas perguntas enquanto término de aprontar tudo.
- Você disse que alguns imploraram e choraram como bebês. Quantas outras vezes fez isso?
- Meu jovem este é um legado de família a muito tempo, na verdade o primeiro dos meus antepassados a habitar este país ja tinham impulsos deste tipo, mas seu pai sempre o controlou, E depois dele houve casos espassos, mas sempre nosso glorioso nome e dinheiro nos livrou de qualquer suspeita. No último século apenas eu nasci com o maravilhoso dom de apreciar a morte alheia como uma arte única, e não imagina como foi maravilhosos quando descobri que eu poderia orquestra este show. Você com certeza não entende como é magnífico ver a luz fugir dos olhos de homem desesperado pela morte, ouvir seus pedidos para que seu sofrimento acabe é uma música doce demais de se ouvir. Você fica tentado a dar o que ele pede, mas não pode fazer isso até a hora certa chegar. Devo abrir mão de minha modéstia e sabendo que posso até ser considerado exibissionista, e dizer que eu já vi quase uma centena de Almas aflitas deixarem seus pobres corpos em direção a libertação eterna. E me lembro com clareza e emoção de cada uma delas.
- Quase uma centena? Quando isso começou?
- Noventa e quatro pobres Almas que precisavam de minha ajuda para encontrar libertação. A primeira foi em mil novecentos e setenta e um, eu estava com doze anos e vim do Colégio interno para passar as férias de verão. Minha mãe me disse que tínhamos uma nova empregada e que ela tinha uma filha da minha idade. Fiquei feliz, pois enfim iria ter alguém para brincar. Depois do almoço a empregada, Marieta, me apresentou a sua filha Ana Clara, uma garota loira com os cabelos presos em duas tranças. Ela era linda e muito feliz brincávamos tardes inteiras e explorando a propriedade dos meus pais. Logo me interessei por ela é pedi para me namorar, ela aceitou, fiquei muito feliz e fui falar para mamãe que me deu os parabéns pelo meu primeiro amor. - O homem passou a corrente que tinha escondida sob a camisa e mostrou o anel que usava como pingente - Este foi o anel que deu para ela como símbolo do nosso amor. Eu queria muito passar todos momentos ao lado dela. Um dia fomos colher frutas no pomar e entre as macieiras um dos operários estava agonizando devido a mordida de uma serpente, a Ana entrou em pânico, mas eu me mantive calmo o suficiente para chegar perto e ajudar o homem a se libertar da dor, apenas mantive a mão em sua garganta segurando o mais forte que eu pude, até que seu corpo morto cedeu sem vida. Eu apenas ajudei a ele não sofrer mais, mas a Ana demorou semanas para me procurar novamente. Ela disse que não podia mais sair comigo e que não era certo continuar a usar o anel. Ela não entendia que a vida precisa ter um fim, podíamos ter feito tanto juntos.
-Desde os doze anos você vem matando pessoas inocentes?
- Sera que não entende que assim como você e seus amigos eles me pediram para que os ajudasse a encontrar a paz.
- Não pedimos nada disso!
- É óbvio que pediram, vocês sempre pedem - O homem se descontrolou - E mesmo que não pediram eu devo fazer isso. É o que mais me dá prazer na vida.
- E onde você os enterra?
- Junto aos meus antepassados em nosso cemitério privado.
Jônatas já não queria perguntar mais nada ao homem, ele esperava que a Polícia ja tivesse provas suficientes para pegar o homem.
- Se suas perguntas acabaram então vamos começar tudo pronto ja esta. Desculpe pela rima boba.
Jônatas pensava quando a Polícia chegaria. Mas ela não chegou naquele minuto ou no próximo. O homem mudou de repente ja não falava, só assobios saíam de sua boca. Ele pegou um saco plásticos e com ele envolveu a cabeça de Jônatas e fechou a boca com fita adesiva prendendo no pescoço. O garoto não lutou contra isso, em parte porque não queria mostrar fraqueza e em parte porque esperava a chegada de seus libertadores.
- Você deve ter notado que dentro do saco tem uma reserva bem pequena de ar, você pode controlar a respiração para que ele dure mais - O homem foi dizendo - No entanto vou dar um incentivo para que encontre seu verdadeiro desejo, com esse pequeno bisturi vou fazer pequenos cortes em seus membros inferiores. Se seu desejo for viver você deve ignorar a dor que sentirá e então controlar a quantidade de ar que seu pulmão terá. Caso contrário você irá sufocar por falta de ar. Vamos começar?
O cérebro de Jônatas começou a funcionar muito rápido, totalmente acesso pela urgência do momento, percebendo que ele teria que arrumar uma saída caso a Polícia e os amigos julgassem que ele poderia aguentar mais daquilo e d emorassem aparecer. O primeiro corte foi feito na parte interna da coxa direita, e a dor invadiu seu cérebro antes que qualquer ideia pudesse se formar em sua mente. Era uma dor fina e insuportável, ele não sabia o quão profundo era o corte, mas de repente ele estava completamente conciente de sua perna, com os nervos rígidos e tensos. O garoto podia sentir o sangue correr de sua perna para a mesa de aço cirúrgico. Ele queria correr dali, mas após receber o segundo corte desta vez próximo atrás do joelho esquerdo. A dor explodiu em seu corpo. As lágrimas que estavam represadas começaram a escorrer pelos cantos dos olhos, o ar começou a ficar escasso dentro do saco e os pulmões pediam por mais a cada instante.
- Meu jovem você não deve se preocupar, pode chorar e até gritar, ninguém o ouvirá e não há porque sentir vergonha disso! Vou continuar ok!
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No centro de Controle:
- Vocês precisam fazer algo agora, ele está machucando meu namorado... Se não fizerem nada eu mesma vou correr para lá. - Maria Eduarda estava claramente desesperada assistindo em tempo real o namorado ser torturado.
- Precisamos de apenas mais um instante senhorita, ele não irá mata-lo com tanta rapidez, temos certeza, ele gosta de brincar com as vítimas.
- Mas até lá meu namorado ja não terá pernas mais... Vocês precisam agir... Já não tem o suficiente para pegar este maníaco? O homem disse que já matou quase uma centena de pessoas, e só agora vocês notará que há algo errado? Vou tirar o Jônatas de la agora mesmo.
- Me desculpe senhorita Maria, mas não podemos deixar que faça isso, o seu namorado foi la voluntariamente e sabia dos riscos. Precisamos saber apenas um pouco mais sobre os crimes. Temos a esperança que após tirar a saco da cabeça dele e diga algo mais.
- Duda, eu te prometo que se nada diferente acontecer em cinco minutos, eu vou junto contigo para salvar o Jônatas, afinal somos eu e meus irmãos que colocamos ele é vocês nisso. Mas agora vamos esperar um pouco... só mais um pouco ta?
- Tudo bem Tummin, mas apenas mais cinco minutos e nada mais...
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Os pulmões de Jônatas buscam o ar que as vias aéreas ja não podiam mais ceder a eles, a visão começou ficar turva e tudo muito lento ao redor, até mesmo a dor dos cortes nas pernas iam aos poucos perdendo a intensidade. E ele se sentiu grato por não sentir mais a dor dilacerante que estava o atormentando, e mesmo sabendo que ia desmaiar e que podia nunca mais acordar nesta vida, ele julgou bem vindo o descanso trazido pela perda dos sentidos. Seu cérebro ja não podia ficar ativo sem ar. Ele mergulhou em um profundo estado muito similar ao do sono. Ele estava livre da dor e isso não pareceu mal.
Sem saber quanto tempo depois ele despertou, aos poucos os olhos foram se acostumando ao ambiente, ele ainda estava com Lindenberg, ainda estava amarrado a maca cirúrgica e o homem o encarava sorrindo:
- Meu jovem, pensei que você fosse mais durão, mas após este desmaio tão sem propósito começo a duvidar. É muito decepcionante que queira sair tão rapidamente da festa... Eu sei que deveria ter deixado você ir, mas acho que ainda precisa entender o porque foi escolhido para ser livre dos seus tormentos.
- Pois me diga de uma vez - Os cortes na perna voltaram a explodir em dor - Porque raios resolveu nos torturar e matar?
- Acha que isso é apenas tortura e morte? Pois está muito errado meu jovem, isso tem haver com libertação e cura. Esta certo que tirei muitas vidas e que você pode não entender isso, mas em todas vezes sempre foi feito o que era preciso. Eles precisavam se libertar da vida medíocre que levavam. Muitos eram mendigos e meretrizes que infestavam nossa sociedade, pra dizer a verdade foram quarenta e cinco deste tipo de gente imunda - Jônatas não pode deixar de mostrar assombro diante do número - Mas você deve estar pensando que eu mencionei que foram quase uma centena, então teve outros seres perturbados, e na verdade teve mesmo. Um dia eu passeava pela cidade, estava sem sono e resolvi sair sem destino pelo início da madrugada e então tive a revelação do real problema que tinha que resolver. Foi quando me deparei com um grupo de pessoas, algumas não eram mais velhas que você é seus amigos, eles estavam "ajudando " mendigos com comida e cobertores, e eu entendi que eles eram o verdadeiro problema, pois eles faziam com que está escória continuassem a existir. Fiquei muito contrariado em ver aquilo. Nas esquinas próximas me deparei com jovens seminuas se oferecendo a homens jovens. Garotas que deveriam estar em suas casas ao lado de sua a famílias, mas que estavam a se prostituir por algumas moedas. Então eu compreendi o porque da minha falta de sono, do enorme tedio que vinha sentindo mais cedo naquela noite. Era tudo um sinal para que eu me encontrasse com a verdade, a única que poderia me libertar do peso que sentia. Os jovens eram a chaga do mundo com suas mentes poluidas e manipuladas por midias e ideias idealistas. Uns se entregando a luxuria e degradação e os outros alimentando uma escoria nojenta que deve ser expurgada do mundo. E por isso eu deveria libertar suas almas que estavam aflitas diante de tanta inversão do uso certo de suas vidas. E assim mais quarenta e nove almas foram libertas de suas aflições.
- Você é completamente insano! Matando jovens porque tem o coração bom. E as garotas de programa, o que fizeram contra você?
- Eles não fazem coisas certas, e é minha missão limpar o mundo destas coisas.
Jônatas desejou mais do que nunca que a Polícia entrasse pela porta, ele ja não aguentava mais jogar com aquele homem sádico. E falou isso o mais alto que pode:
- Ok! Pra mim já chega não posso mais continuar com isso. Você é a pessoa mais desprezivel que ja conheci. Espero que apodreça na cadeia. Quero ir embora daqui agora!
- Olha só o grande garoto esperto e pedante esta desistindo. Eu sabia que você iria pedir pra que eu terminasse com isso rapidamente.
Jonatas que estava atento aos sons externos percebeu a aproximacao de seus salvadores antes do homem. A tempo de dizer sorrindo:
- Você é mesmo um tolo, eu não estava falando com você... - E vendo a cara confusa do homem continuou - Mas sim com eles...
A porta se abriu em um baque forte, e rapidamente a sala foi cheia de policiais. Lindenberg não conseguiu reagir, devido a ação rapida da policia, em instantes ele estava algemado e sendo conduzido para fora. O delegado seguido pelos paramédicos se apressaram em libertar Jônatas. Minutos depois ele foi conduzido para fora da casa onde encontrou os amigos e a namorada. A Polícia ia precisar do depoimento dele, mas liberaram ele para ir ao hospital, afinal ele se fez vítima para ajudar a pegar o criminoso. Ian, Maika e Tummin foram com os amigos para o hospital em São João do Maraca. E não cansavam de agradecer e se desculpar por terem pedido tanto aos novos amigos. Jônatas tinha dez cortes nas pernas e hematomas nos pulsos. Levaria um tempo até ele conseguir firmar sobre a perna esquerda devido ao corte atras do joelho. Mas sentia que tinha válido a pena ajudar a tirar Lindenberg de circulação. E todos sentiam um grande alivio, eles sabiam que a policia teria muito trabalho localizando os corpos das vítimas, mas a etapa deles ja estava terminada.

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