- Esta vila que agora estamos foi fundada por padres jesuítas e Bandeirantes a mais de quatrocentos anos, não era mais que algumas cabanas ocupadas por duas grandes famílias portuguesas. Quando os padres e os Bandeirantes foram colonizar outros lugares deixaram as duas famílias responsaveis por transformar o pequeno acampamento em uma vila e se possível em uma cidade. Próximo a montanha existia uma aldeia de índios e lidar com eles seria um dos grandes desafios dos fundadores da vila, pois os índios não estavam felizes em ter de dividir suas terras com o homem branco. Os fundadores decidiram que metade das terras seriam de cada família para evitar brigas desnecessárias. A família Borba ficou com a metade que ia do meio da vila até mil alqueires além da montanha. E a família Alencar ficaria com a outra metade do meio da vila até mil alqueires além do riacho. A família Borba ficou feliz com a divisão porque o pai da família acreditava que com o tempo e com Boa conversa os índios podiam ser bons aliados já que conheciam tudo por ali. A primeira atitude dele foi tentar demostrar de alguma forma ao povo da aldeia que eles poderiam ficar em paz, pois ninguém iria tentar usurpar seu lar. Os Alencar estavam igualmente felizes porque tendo o riacho poderiam cultivar alimentos com mais facilidade. O chefe da família achava que a melhor decisão seria mostrar aos índios que eles agora mandavam por ali, Mas está não era uma decisão dele, que tentava respeitar a posição do amigo Borba. No acordo feito entre eles ambos lados teriam que ceder espaço e trabalhadores para abrir ruas que seriam de uso comum a todos na Vila, que chamaram de Vila - da Boa Esperança. Como vocês podem ver este é um lugar muito isolado e os materiais para a construção da vila chegavam de forma muito difícil. Então fazia dois anos que eles estavam aqui e o lugar ainda parecia um acampamento, sendo que a únicas coisas que prosperavam eram as plantações dos Alencar. Os Borbas tinham hábeis construtores mas faltava-lhes os materiais para o trabalho. Um ano depois os índios já simpatizavam mais com os Brancos bons, E decidiram mostrar onde conseguir a melhor argila para os tijolos em troca algumas bugigangas e de comida de branco. Com a aliança com os índios os Borbas conseguiram voltar aos seus ofícios e a vila ganhou as primeiras casas, inclusive este mercado que foi uma das primeiras construções da cidade. Foi construído para que as senhoras Borges e Alencar pudessem ter onde vender seus trabalhos manuais e verduras, no início o comércio era apenas entre as famílias, mas com as muitas viagens deles para vender e comprar coisas nas cidades próximas e na capital, logo outras famílias buscaram abrigo na Vila da Boa Esperança. E uma das famílias fundadoras os recebia como agregados desde que tivesse alguma habilidade que pudesse favorecer a família. Com o passar do tempo o lado dos Borbas começou a se mostrar com mais infraestrutura que o dos Alencar. E eles tendo os índios como aliados nem sempre precisavam recorrer aos velhos amigos para conseguir alimentos e sementes. E isso começou a incomodar a família Alencar que precisava dos recursos advindos das vendas dos produtos para os Borbas e prós seus agregados. Os incomodava também que aos poucos alguns índios já estavam circulando pelas ruas do Vila. O chefe da família alertou ao amigo que aquilo poderia ser perigoso, pois eles não sabiam sobre a Real índole dos índios e que ambos tinham filhas e sobrinhas ainda moças que não deviam ver homens nus pelas ruas da cidade. O Borba jurou que falaria com o chefe da aldeia sobre isso. E a conversa acabou com um brinde com vinho português.
Assim que o dia seguinte amanheceu o Borba cumpriu sua palavra e foi falar com o chefe da aldeia, explicou que tinham costumes diferentes e que se os habitantes da aldeia quisessem andar pela vila dos brancos eles teriam que usar roupas como a dele. Apesar de não gostar da conversa o chefe da aldeia concordou com o amigo branco. O homem levou roupas de presente, mas os índios não as usaram para ir a vila dos homens brancos. A parceria entre eles e os Borbas continuou, mas nele não mais os visitavam na Vila. Com o passar dos anos a vila já contava com mais de cem famílias e a economia local já não dependia tanto das duas famílias fundadoras, elas ainda detinham o poder sobre o comércio e a produção de alimentos, Mas agora tinham outros clientes.
Gusmão Alencar, o chefe da família, tinha uma filha, Teresa, de dezesseis anos muito bonita e prendada, que desde pequena quando a família se mudou para para Vila da Boa Esperança tinha se tornado muito amiga de Luis Gustavo o filho de Ricardo Borba, o chefe da família Borba, e desde aquele tempo já havia comentários que seria maravilhoso se no futuro eles se casassem, não era nada oficial entre as famílias, apenas uma ideia que agradava ambos os lados. E eles cresceram amigos e ouvindo tais comentários. Quando Teresa ficou mais mocinha a mãe e tias a aconselhou que não era prudente que ela ficasse a sóis com um rapaz, ainda mais desbravando a Mata próxima a vila. Mas está era uma das coisas que mais adoravam fazer juntos e ela não quis deixar de ter tão bons momentos com seu melhor amigo. No entanto após grande insistência da mãe ela decidiu diminuir tais atividades limitando a idas a cachoeira para se banhar e jogar conversa fora. Nestes passeios na natureza os dois começaram a notar que estavam mudando. Luiz Gustavo não era mais só aquele garoto que queria se mostrar o mais esperto e destemido subindo nas árvores mais altas ou pulando de pedras dentro do riacho, agora ele se mostrava seguro de si, sempre pensando na segurança dela e cuidando da amiga, seu corpo e voz estavam mudando também. E Tereza estava mais parecida com as outras mulheres apresentando linhas e curvas diferentes no corpo, que o garoto podia notar quando ela estava molhada após mergulhar no riacho, ela também estava mais delicada no movimentar e sempre tirava uma semana por mês para se afastar do amigo. Quando ele perguntou porque ela simplesmente disse que eles precisavam ficar afastados pelo menos alguns dias por mês para poderem sentir saudades. Esta era a pior semana para ele, que não podia ir trabalhar com os mais velhos. Seu pai tinha o designado para servir na casa com sua mãe, irmãs e primas. E sempre falava que ele teria que se aprofundar mais nos estudos para administrar os negócios da família quando a Vila crescesse, e quem sabe talvez o pai tivesse até que envia-lo a Coimbra para a Universidade para se tornar doutor. A cada dia Luis Gustavo gostava mais de poder estar perto da Vila assim ele ajudar nos negócios da família e ainda ficava perto de Teresa que lhe era muito especial. Quando fizeram quartoze anos ele perguntou a ela se podia falar com seu pai sobre eles namorarem, ela disse que adoraria ser sua namorada, mas que apesar deste ser a vontade da família, além da dela, com certeza seu pai só permitiria que eles se comprometessem após os dezesseis anos, pois assim tinha sido com suas três irmãs mais velhas. Ele em uma jura de amor disse a ela que esperaria e que desde aquele momento o seu coração era completamente dela. E ela jurou o mesmo a ele. Quando chegou em casa Tereza que tinha em sua mãe sua melhor amiga contou a ela que disse estar orgulhosa da filha e que a garota agirá bem. Reafirmou também que está União seria muito bem vista pela família Alencar e pela Borba pois seria a União das casas. Luiz Gustavo também comentou com o pai o fato de ter falado em compromisso com Tereza. O pai disse que não espera outra atitude do filho visto que ele andava muito próximo da garota e isso evitaria constragimentos desnecessários com a família Alencar que sempre fora amiga e parceira dos Borbas. Logo a espeosa comentou com Gusmão Alencar que informalmente inquiriu o amigo sobre a validade das intenções de seu filho, este por sua vez reinteirou com firmeza que as intenções eram verdadeiras e que a família apoiava os intentos do rapaz. Assim o pedido de namoro se tornou intenção de casamento e logo todos na vila sabiam Gustavo Borges e Teresa Alencar se casariam em pouco mais de um ano. Isso trouxe grande alegria para todos habitantes da Vila que viviam em paz, Mas sempre tendo se manter-se fiéis a uma das famílias , e por mais que fosse improvável pensando que qualquer assunto mal explicado poderia levar ao rompimento da parceria e a divisão da Vila. Mas agora com o eminente casamento dos jovens a União ficaria mais sólida pois todos sabiam que o pai estava preparando Gustavo para cuidar dos negócios da família, mesmo não sendo o filho mais velho, e que seus irmãos apoiavam a decisão já que eles era pouco instruídos. E que o pai da garota tinha um carinho especial por ela, sendo a filha mais nova. A vila da Boa Esperança estava em festa e euforia era tanta que os pais dos enamorados decidiram que tendo todos já conhecimento do assunto não tinha porque eles tardarem em selar o compromisso com uma linda festa de noivado na Praça Central da Vila onde todos habitantes poderiam participar. Duas semanas depois da decisão a vila se encheu de enfeites e alegria e por um fim de semana completo não houve trabalho ou preocupações, apenas festejaram o compromisso entre os jovens. Gustavo e Teresa estavam felizes por tudo está dando tão certo e mesmo que muito ainda tivesse de ser feito até que eles se casassem eles sabiam que tinham suas famílias ao lado deles. No domingo Ricardo Borba e Gusmão Alencar anunciaram juntos que a casa dos noivos seria erguida em frente a praça que marcava o Centro da cidade, e que a casa ficaria metade na terras de cada família e que não seriam poupados recursos para que fosse a construção mais bela e imponente da Vila.
Tudo estava correndo muito bem até que faltando seis meses para o casamento chegou a vila um distinto senhor chamado Ludovic Lindenberg com seus dois filhos, o mais velho August com dezenove anos e o mais novo Bruno com seis anos. Ele era um antigo e poderoso amigo de Gusmão Alencar, e tinha financiado muitas das bem feitorias que o amigo tinha feito na Vila, é claro que naquela altura não havia qualquer dívida financeira entre eles, mas a família Alencar era muito grata pelo auxílio que ele dera em maus momentos. Ludovic tinha perdido a esposa por causa de um mau funcionamento do coração e decidirá se mudar com os filhos de Berlim para o Novo Mundo, e escolherá Vila da Boa Esperança para fixar residencia, visto que já tinha amigos por aqui. Ele chegou com grandes planos para a Vila e não cansava de dizer que os amigos teriam uma grande surpresa assim que a correspondencia que ele aguardava chegasse. Todos estavam curiosos, porém nada trouxe mais inquietação do que quando ele afirmou que uma das razões que o trouxera a Vila da Boa Esperança foi justamente a esperança de o amor dar a mão de uma de suas filhas em casamento a August, e que disso ele fazia questão. A última filha de Gusmão Alencar que ainda não tinha casado era Tereza. Alencar explicou que ele tinha dado sua palavra sua palavra ao amigo Borba e que sua filha amava Gustavo desde muito nova, e que deste modo ele não tinha como voltar a atrás com sua palavra, pois a palavra de um Alencar não era coisa que se desfazia. Foi então que ele notou que Ludovic não era mais aquele jovem sonhador que havia estudado com ele em Coimbra, o homem que estava em sua frente era duro e incisivo, muito afetado pelo poder que herdará da abastada família alemã. E que nos muitos anos que passaram apenas se correspondendo por cartas o homem mudará completamente. Ludovic disse que o amigo poderia passar por cima de questões de orgulho familiar e que a recente parceria com os Borbas não significava nada se comparada com tudo que ambos já tinham dividido na vida. Afinal até mesmo o título de Barão que Gusmão tinha ele devia a influência de Linderberg na Corte Portuguesa. Mesmo não gostando do tom da conversa e do amigo jogar na mesa tudo que tinha feito por ele Alencar se manteve calmo e disse ao amigo que não se tratava de orgulho familiar bobo, e que ele não voltaria atrás com a palavra dada. Diante da recusa do amigo Ludovic saiu da casa anunciando que a amizade entre eles estava desfeita, que jamais em sua vida sofrerá tamanha afronta e por isso os Alencar e os Borbas se arrependeriam para sempre. Depois este episódio ninguém viu Ludovic e seus filhos durante várias semanas até que a notícia que ele mandara vir construtores da capital e que estava edificando além dos limites das terras dos Borba chegou a Vila. Como era além dos limites de suas terras os fundadores não se importaram com isso, aquelas era terras da coroa e para cuidar delas havia as autoridades. Dias depois Ludovic e seus filhos voltou a Vila da Boa Esperança trazendo consigo um punhado de papéis. Sem demora pediu para falar com Ricardo Borba e com Gusmão Alencar pois o assunto interessaria a duas famílias. Quando eles se reuniram aqui no mercado ele começou a dizer "- Todos aqui estão cientes que minha família e eu gozamos de ótimo relacionamento com a coroa portuguesa. Ainda antes de vir nos instalar neste vilarejo demos antes uma providencial passada pela corte, onde fomos informados que toda a terra ao redor da Vila da Boa Esperança ainda não tinha arrendatário que pudesse cuidar dela e zelar pelos interesses da coroa. Então o próprio Dom Manuel nos ofereceu a honra de arrendarmos estas terras como seus fiéis curadores de suas riquezas naturais e minerais. Esta então era a nova que vinha eu desejoso por contar aquele que acreditava eu ser um de meus mais fiéis amigos, no entanto estava eu enganado sobre tal amizade, porém isso não vem ao caso agora. A coroa me incubiu de transmitir os agradecimentos pelo bom trabalho que vocês vem fazendo por aqui, e reinterar o apoio da corte portuguesa a Vila e a suas famílias fundadoras e ainda que meus domínios começam onde acaba o de vocês, ou seja mil alqueires além da montanha e dali se extende até a próxima cidade. Ainda me foi pedido que entregasse estes documentos de propriedade destas terras que agora estamos, eles estão conforme informado pelos senhores a coroa. E caso queiram averiguar estes outros são os documentos que concedem a mim o poder arrendatário dos arredores de suas terras. Estes eram os papéis que eu esperava a chegada. E fique registrado que a partir de hoje não temos mais assuntos em comum ou que tratar. - Os fundadores examinaram os papéis que concediam a eles a propriedade delas terras, mas não tiveram curiosidade pelos papéis de Ludovic. A partir de então apenas notícias sobre as bem feitorias executadas por ele nas terras chegavam até a Vila.
Quando o dia do casamento chegou novamente a Vila se encheu de festa. Gustavo e Teresa estavam radiantes com tantas demostrações de carinho que recebiam do povo. Entendiam que o amor deles significava muito também para todos ali, e ficavam felizes por estarem rodeados por amigos tão bons. A primeira e única igreja da Vila foi construída para a ocasião e o padre veio especialmente da capital para celebrar o matrimônio. Foi uma linda festa que durou dias, mas nenhum dos Lindenberg apareceu para felicitar os recém casados. Os filhos tinham herdado os modos do pai e se mostravam tão ressentidos quanto o patriarca. Os recém casados viajaram em lua de Mel para Lisboa, de onde seguiriam para Coimbra para Gustavo dar prosseguimento aos estudos. Seriam quatro anos longe da querida Vila da Boa Esperança, mas perto dos familiares que ficaram em Portugal na ocasião da mudança das famílias para o Brasil. Gustavo achou que seria útil se a esposa estudante também e se formasse professora afinal a Vila crescia rapidamente e uma professora seria muito bem vinda. Ela adorou a ideia e ambos estudaram em Coimbra.
Cinco anos passados uma correspondência trouxe luz aos corações de Ricardo e Gusmão, pois dizia que seus filhos retornariam para junto deles, em fim poderiam conhecer o já tão amado neto, Frederico, o primeiro Borba Alencar por nascimento. A carta antecedeu a chegada deles em uma semana, foi tempo suficiente para as mulheres abrirem a novíssima casa deles para tirar o pó e cheiro de casa fechada. E organizarem uma festa de boas vindas. O acesso a Vila estava mais fácil pois Ludovic abrirá algumas novas estradas para sua propriedade, e indiretamente beneficiará a Vila. No entanto muitas vezes os homens que trabalhavam para ele impedia que os habitantes se utilizassem das estradas e até cobravam pedágio exorbitantes. Mas ninguém os impediu de passar naquele dia e eles se viram em Vila da Boa Esperança antes do esperado por eles é todos ja os aguadavam e tratavam Frederico como a um verdadeiro Príncipe, ele era a melhor mistura dos pais tanto em beleza como em simpatia tendo apenas três anos. Os avós disputavam sua atenção a todo instante até que suas mulheres lhes chamaram atenção, que podiam muito bem compartilhar o neto entre eles e com todos. Terminado os festejos os três integrantes da pequena família puderam se familiarizar melhor com a enorme casa que lhes tinha sido presenteada. Era um palacete muito grande para eles, mas estavam cansados demais para questionar os exageros dos pais.
Na manhã seguinte os chefes de famílias foram conversar com os filhos para saber das novidades e conversarem sobre os próximos passos que dariam. O jovem casal estava cheio de planos para a família e para a Vila, mas estranharam quando Gusmão disse que desde o casamento deles ninguém virá August, que segundo notícias se isolara na casa de sua família e que de la não saía nem mesmo para banho de sol. E que Bruno com apenas onze anos era o braço direito do pai, lugar que seria de August, mas que fora preterido por ele. Quando Teresa perguntou ao pai se o rapaz gozava de Boa saúde, meio sem jeito por não gostar de espalhar rumores ele respondeu que alguns trabalhadores da propriedade Lindenberg comentaram com moradores da Vila que August estava sofrendo do mesmo mal que matará sua mãe e que não se tratava de qualquer mal do coração, mas na verdade problemas mentais, o que hoje chamamos de esquizofrenia. E que por esta razão o próprio pai havia ordenado que jamais saísse de casa. Gusmão completou dizendo que estava feliz por não ter traído sua palavra para com o Borba, pois se o tivesse feito além da enorme humilhação ainda teria condenado a filha a uma infeliz vida ao lado de um louco.
O que qualquer pessoa na Vila desconhecia era que além de ser verdade os comentários chegados até lá, tal situação estava levando Ludovic a definhar a cada dia ao ver seu primogênito padecer do mal que lhe tirará seu grande amor. E que Bruno na verdade administrava tudo na propriedade Lindenberg. Sendo ele um garoto muito esperto transmitia as ordens como sendo do pai que já não se importava com nada além da dor de ver seu filho predileto daquela forma. Ludovic chegava mesmo a ratificar as ordem dadas por Bruno quando alguém estranhava de alguma forma. O garoto levava muito jeito para os negócios e mesmo sem a ajuda do pai conseguia fazer os negócios prosperarem. Pouco após completar um ano que a Gustavo e Teresa haviam retornado a Vila a notícia do falecimento de Ludovic Lindenberg se alastrou pelas redondezas. Gusmão, Ricardo, Gustavo e mais alguns homens da Vila foram até a casa do falecido para demostrar solidariedade, apesar de estarem preocupados com qual recepção teriam por la. Quando chegaram foram recebidos por uma jovem empregada e levados a sala da casa onde se encontraram com Bruno com a aparência abatida e triste. O garoto foi muito educado agradecendo a solidariedade dos vizinhos e se desculpando pela ausência do irmão que estava muito fragilizado com a partida repentina do pai. A visita não se alinhou muito, mas deu a impressão aos homens que seria mais agradável lidar com os filhos do que com o falecido pai, caso August fossem tão razoável quanto Bruno. Mas está impressão durou pouco, pois três semanas depois da morte do pai August finalmente notou que estava livre das amarras do patriarca e que agora ele era o maioral da propriedade Lindenberg. Ele tinha momentos muito lúcidos e em um destes momentos anunciou ao irmão menor que o sua doença e o passado tinham ficado para trás e que a partir daquele momento ele estava tomando posse de sua parte da herança de seu pai e que co no último testamento do pai ele havia o nomeado tutor de Bruno, ele iria gerir a parte do irmão da herança. O garoto mais novo relutou em aceitar que o irmão doente mental cuidasse de tudo, ainda mais depois de passar tanto tempo isolado do mundo. August não sabia nada sobre como iam os negócios. Mas por fim ele teve que terminar a discussão, afinal Ludovic tinha cometido o erro de não corrigir o testamento e agora toda aquela terra e as muitas peso as que trabalhavam nela estavam a mercê de um homem que tinha terríveis alucinações e crises de raiva devastadores. E Bruno sabia que depois de ter sido obrigado a passar quase sete anos confinado em seu quarto o irmão não iria deixar que ninguém mais lhe desse ordem, não agora que seu pai algoz tinha negligentemente tinha lhe deixado um verdsdeiro Império. Bruno teria de ficar por perto e tentar minimizar os efeitos das ações do irmão, pois elas tinham tudo para serem catastróficas já que os momentos lúcidos era muito raros enquanto os em completo devaneios eram abundantes. Porém não demorou muito para August notar que seu irmão bloqueada muitas das suas ordens e que os empregados preferiam ouvir Bruno do que a ele. E em uma tarde ele disse ao irmão que o pai apareceu a ele enquanto descansava em seu quarto, uma semana antes, e dissera que ele devia cuidar da instrução do irmão e que para tanto deveria manda-lo a Berlim para estudar entre os familiares de sua mãe. Bruno enraivecido disse que de modo algum iria deixar sua herança e seu povo a mercê de um louco sem supervisão. O irmão disse que ele não tinha outra escolha a não ser partir, pois tudo já estava arranjado. Bruno disse que partiria sim, mas que iria a capital e com ajuda dos advogados da família iria voltar com a ordem de interdição do irmão. E saiu da casa antes que o irmão pudesse tentar impedi-lo. Os advogados da família já tinha realmente oferecido ajuda ao garoto para anular o testamento deixado por Ludovic e ele iria agora aceitar. Na mesma tarde Bruno partiu a cavalo acompanhado de seus dois melhores amigos, filhos de trabalhadores da propriedade, em direção a capital. Eles cavalgaram sem parar até a chegar a cidade e lá foram diretamente ao escritório de advocacia. O advogado mais antigo da família disse a Bruno que era possível a anulação, mas para tanto eles teriam que provar a doença de August e que Bruno podia cuidar de si, mas que ele devia esperar pelo fato do juiz decidir por nomear outro tutor para ele. Mas que antes de tudo eles teriam que construir um caso, no entanto o escritório estava cheio de casos em abertos e ele teria de esperar algumas semanas para que pudessem trabalhar em seu caso. Bruno reinteirou que era urgente que isso fosse feito. Então o velho advogado disse que se fosse do agrado do garoto ele poderia pedir ajuda a um advogado que se formara em Coimbra e que morava muito próximo os Lindenbergs , porém as famílias de ambos não tinham boas relações até então. Bruno perguntou quem seria, e o homem disse que se tratava de Luiz Gustavo Borba, o rapaz que casara com a moça que um dia August tivera esperança de desposar. O garoto disse que compreendia que situações extremas pediam atitudes extremas e que se o Doutor Borba aceitasse o caso ele ficaria grato. O advogado disse que ele poderia partir para a Vila na tarde seguinte e que junto consigo levaria um medico de sua confiança, além de uma carta para Luiz Gustavo. E assim Bruno voltou para a região da Vila da Boa Esperança, mas ficou receoso de ir casa então ficou hospedado na estalagem da Vila, o médico enviado pelo advogado da família e seu melhor amigo também ficaram hospedados por lá. Luiz Gustavo só recebeu a carta do advogado da capital no dia seguinte quando o próprio Bruno foi até sua casa para conversarem, levando consigo o médico e seu amigo. Após ler a carta ele não soube como agir, pois tinha prometido a Teresa que não bateria de frente com Ludovic e sua família, e agora se tratando da ruptura desta família ele não sabia como manter sua palavra e ainda a assim ajudar Bruno. O garoto estava desesperado e ele queria poder ajudar, sem dizer que sempre se divertia no tribunal, ele tinha advogado em poucos casos, mas adorava defender diante do júri. Não conseguindo pensar em outra solução decidiu que Teresa iria decidir se ele deveria ou não pegar o caso de Bruno, afinal a promessa fora feita a ela. Teresa tinha um senso de justiça muito apurado e após saber da situação disse ao marido que ele não teria outra escolha a não ser defender o caso, interditar August e restituir a herança a Bruno. Eles ainda conversavam quando ouviu-se um grande alvoroço na Praça, com se uma multidão tivesse invadido o lugar. Eles estavam no andar superior do prédio então olharam pela janela do quarto e viram que não eram pessoas da cidade que estavam reunidas na Praça. Segundos depois Bruno saiu pela porta da frente e vou em direção às pessoas. Então eles souberam que eram trabalhadores de sua propriedade. Gustavo achou por bem ir ter com seu cliente. Quando ele chegou acompanhado de Teresa ele ouviu o garoto com lágrimas no olhar dizer as pessoas:
- Ele não pode fazer isso, não pode mesmo.
- Mas senhorzinho Bruno, ele disse que pode e que se alguém sentisse pena que devíamos dizer que não somos mais problema dele. - Uma das mulheres respondeu chorando.
- Bruno o que está havendo?
- Luiz Gustavo, ele, meu irmão... Expulsou todas as mulheres e crianças de nossa propriedade.
- Mas... Ele não... - Gustavo não conseguiu terminar de falar... Então outra mulher disse
- Pode acreditar meu senhor! O Senhor August está mesmo louco.
- Não podíamos deixar nossas mulheres e filhos sozinhos no mundo então também largamos o trabalho e saímos de lá. - Um homem muito bronzeado disse.
- E meus pais? Não vejo meus pais - Um dos melhores amigos que acompanhavam Bruno perguntou.
- Pobre garoto Teodoro, seus pais e irmãs estão com ele na casa grande. Ele diz que irá se casar com Maria da Conceição, sua irmã mais velha. Seus pais não queriam deixar, mas você sabe que sua família tem uma grande dívida com o pai dele e do senhorzinho Bruno. Agora ele tomou a dívida para ele, e sua irmã como pagamento.
- Bruno... Bruno precisamos buscar minha família. Seu irmão é maluco
- Não se preocupe amigo, nos iremos busca-los.
- Nós vamos tentar Teodoro. Isso podemos prometer - Luiz Gustavo retifica.
- Luiz Gustavo o que vou fazer? Não posso deixa-los na rua... Eles são meu povo.
- Não temos lugar suficiente na estalagem, teremos que pedir ajuda ao meu pai e meu sogro.
- Acha que eles vão querer ajudar o filho e o povo do Ludovic Lindenberg?
- Eu tenho certeza que irão ajudar. Pelo simples fato que vocês precisam. Nós nunca brigamos com seu pai, ele que desejou romper a amizade.
- Então vamos fazer isso...
Todos na cidade foram solidários aos desabrigados da Propriedade Lindenberg seguindo a recomendação de Ricardo e Gusmão. Agora mais do que nunca era urgente que Luiz Gustavo ajudasse Bruno, pois a vila estava crescendo bem, mas de modo algum tinha infraestrutura para de repente passar de suportar centenas de pessoas para mais de mil habitantes. Os mais de quatrocentos trabalhadores e crianças que tinham sido expulsos por August tinham inflado a vila, mas não tinham qualquer ocupação para eles. Na Vila cada um tinha sua função e por isso ela funcionava bem, cada novo morador era aceito conforme as necessidades, os Borbas e Alencar tinham desistido de transformar a vila em uma cidade assim que Ludovic tinha anunciado que eles estavam ilhados em dois mil alqueires de terra em meio aos domínios de Lindenberg. Estas novas pessoas precisariam de terra e ocupações para serem úteis a comunidade, no entanto nem mesmo dinheiro para se alimentarem os refugiados tinham. Com duas semanas nesta situação Ricardo, Gusmão, Luiz Gustavo e os outros líderes da comunidade tiveram que admitir que não poderiam mais continuar a sacrificar tantos recursos sem qualquer reembolso. Até mesmo o jovem Bruno admitiu que seu pessoal estava pesado para aquela comunidade, e que era hora de conversar com August. Gustavo viera trabalhando no caso com muito afinco e o médico estava muito convencido que August sofria de uma séria psicose, além da esquizofrenia, ele fora o único que tivera acesso ao rapaz desde a expulsão dos trabalhadores. O velho advogado da família falará a August que caso realmente desejasse se casar teria de provar ser mentalmente estável e que é este era o trabalho do psiquiatra enviado por ele. Nestes termos o doutor foi aceito na propriedade sem restrições, e desde então era ele que trazia notícias sobre o que ocorria na casa grande. Aproveitando a ocasião de uma das sessões de August com o médico os homens da Vila foram com Bruno e Gustavo até a propriedade para falar com ele. O irmão estava mais lúcido do que Bruno recordava a muito tempo, ele disse que sabia que um dia o irmão voltaria com a cavalaria, afinal ele tinha uma idiota paixão por aquele povo estranho e sem qualquer classe. Mas que nada que Bruno pudesse dizer ou fazer iria poder contestar que ele era quem mandava em tudo em vinte milhas para o Norte. Apesar da raiva estar impressa em seu olhar ele se mantinha calmo e com a fala muito clara. Bruno disse que já havia aberto um processo para destituir o irmão do poder como seu tutor, sentindo o rosto queimar de raiva August disse que ja esperava algo tão baixo de um garoto mimado como Bruno e que isso não daria em nada, pois em breve ele seria um homem casado e muito mais respeitado e que juiz algum daria mais crédito a um garoto de treze anos do que a ele, e que tudo seria comprovado pela avaliação do doutor que ali estava. Luiz Gustavo tomou a dianteira e apresentou como advogado de Bruno e que o caso era sólido e tinha o apoio da sociedade, Agora ainda mais depois de August ter enxotado todas aquelas famílias para fora da propriedade dele e do irmão, mas mencionou nada sobre a avaliação do médico, afinal se até aquele momento August não tinha notado que o psiquiatra estava do lado de seu irmão, não tinha por que entregar o jogo agora. Ele também informou que por lei o homem teria que deixar Maria e sua família sair em paz da propriedade, afinal apesar do crescente número de escravos em outros lugares, ali não havia nenhum deles. E que ja havia pedido ajuda a diligência policial da capital para libertar a família do cárcere imposto a ela. August disse que ele se arrependeria disso amargamente, pois está era a segunda noiva que Luiz Gustavo lhe impedia de ter. Gustavo lembrou ao homem que Teresa jamais fora noiva dele, que isso não passará de um devaneio do pai deste, que o contagiara. August disse que a noiva sairia da casa se a Polícia fosse retira-lá, mas pessoalmente ele duvidava que alguém na capital desse importância para um pedido de um advogadozinho de uma vila no meio do nada. E que os antigos trabalhadores de sua Fazenda poderiam morrer de fome que para ele não importava. Afinal não passavam de um punhado de gente feia e fedida que o irritava só de ver suas caras. Gustavo lhe disse que ele o enojava, pois muito do dinheiro que o rapaz tinha era devido ao trabalho daquelas pessoas. E ele mesmo queria agora se casar com uma destas moças feias e fedidas. Antes de sair da casa o jovem advogado ainda disse que August sim se arrependeria de tratar gente tão simples e honesta daquela forma.
Uma semana depois um delegado e três soldados chegaram a vila para cumprir a ordem de libertar a família de Teodoro. Dois meses depois um juiz da capital acolheu o caso apresentado por Luiz Gustavo e marcou a audiência para duas semanas a frente. Em uma julgamento fechado e sem júri popular o juiz decidiu depois de passar um dia inteiro ouvindo ambas partes que cada um dos irmãos deveriam gerir suas partes da herança e que Bruno na condição de menor deveria ali mesmo nomear a quem desejava por tutor. Ele nomeou Gusmão Alencar que fora amigo de seu pai e lhe tratou com cortesia e honestidade. O juiz terminou dizendo que o fato de mudança de tutela não alterava em nada a transferência de bens e que até a ambos casassem permaneceriam como herdeiros universais um do outro. O juiz não era possível determinar o grau de perturbação de August apenas com a análise do psiquiatra, por que ele fora contratado pelo irmão menor e isso podia de muitas formas fazer sua opinião ser parcial. E assim as terras foram divididas em partes iguais. August ficou com a parte já beneficiada da terra e Bruno com muitos quilômetros de Mata virgem, ele não quis novamente entrar em uma briga com o irmão mais velho, Afinal ele tinha construtores e pessoal que poderiam trabalhar em sua Fazenda. Gusmão sendo seu novo tutor apoiou sua decisão de não bater de frente com o irmão desequilibrado. O garoto decidiu construir sua casa e de seus colonos na outra extremidade de sua propriedade pois assim demoraria muito para ocorrer possíveis atritos com o irmão. É assim nasceu a cidade de São João do Maracá, que nasceu na terras de Bruno Lindenberg, mas cresceu para além de sua Fazenda. August nunca perdoou o irmão e Luiz Gustavo pela afronta de levá-lo a justiça. Dois anos depois ele se casou com uma jovem recém chegada de Portugal chamada Luzia, juntos tiveram três filhos dos quais dois herdaram a doença do pai. Luzia morreu quando o filho mais novo tinha treze anos, de desgosto apos ver ele quase ser morto pelo irmão do meio em um ataque de alucinações terríveis. August morreu aos cinquenta e seis anos de malária deixando em testamento sua herança apenas para os dois filhos mais velhos que eram tão perturbados quanto ele e mantinham o ódio por todos da Vila e pelo tio. O mais novo tinha fugido para junto do tio após aos quinze anos acordar com sua cama pegando fogo e os irmãos mais velhos olhando e sorrindo, e o pai dizer que fora apenas uma brincadeira entre irmãos. Bruno acolheu o sobrinho, Estêvão, e o tratou como um dos seus filhos. Bruno casou com uma das netas de Gusmão e teve dois filhos, Sebastião e Alfredo e duas filhas, Carlota e Lurdes, e após a chegada do sobrinho ele ganhou o quinto. A maldade e a loucura cheia de ódio acompanhou os descendentes de August Lindenberg até os dias de hoje, Mesmo hoje ele desprezam qualquer coisa que tenha haver com esta vila e com São João de Maraca. Luiz Gustavo e Teresa tiveram uma linda família muito feliz, assim como seus irmãos e irmãs. A vila nunca foi maior que o que vocês puderam ver lá fora, e sempre se orgulhou de não ter tido qualquer trabalho escravo para sua construção e manutenção. Com o tempo os índios, moradores da Vila e de São João de Maraca começaram a se misturar naturalmente. Os descendentes dos Borbas e Alencar sempre respeitaram os costumes indígenas e os índios respeitavam os dos homens brancos.
O Lindenberg que vocês conhecem é descendente de August e tão maluco quanto ele. O homem jamais é visto por qualquer pessoa, mas mantém aquele chalé entre os escombros das antigas casas dos colonos e de tempos em tempos aluga Ele para aventureiros. É muito atrativo como devem ter notado, o lugar é muito bonito e ele pede um preço absurdamente baixo pelo aluguel. O único problema é que dificilmente os inquilinos retornam para casa. Nós notamos recentemente que sempre que o chalé está alugado ocorre acidentes muito estranhos, e então passamos a observar de perto, já tínhamos ouvido falar das histórias de que o dono de lá era sádico e maluco, que há relatos de que ele torturou empregados e marcadores de Rua. A mais ou menos um ano um casal tinha alugado o chalé e deixou as chaves jogadas próximo ao lago então pegamos enquanto de banhavam e fizemos uma cópia. O que vimos naquela noite no porão da casa jamais poderemos descrever. Aquele homem é brutal e totalmente maluco, e torturou o casal de modos inimagináveis. Nós apenas fugimos e voltamos com alguns homens na manhã seguinte, mas ele ja tinha limpado tudo e foi inutil ir a policia. O lugar ficou vazio por um ano e então numa de nossas excursões por aqueles lados vimos que ele estava limpando o lugar, sabíamos que só podis significar que ele iria alugar o lugar novamente, chamamos alguns amigos e começamos a observar o chalé.
Dois dias depois um casal chegou estavam tão surpresos e felizes quanto vocês por ter encontrado um lugar tão legal no meio do nada. Esperamos eles se divertirem um pouco e então fomos falar com eles, não contamos toda esta história mas falamos do que o dono do lugar fazia, mostramos o porão e os túnel, eles ficaram assustados, dizeram que so tinham alugado por dois dias no meio da semana, quarta e quinta feira, e a iriam embora no início da noite do dia seguinte, pois no e-mail o dono tínha dito que um grupo de jovens tinham alugado o lugar por uma semana inteira. Deduzimos então que se ele fosse fazer algo- com eles seria naquela noite. Eles não estavam certos disso então propusemos que ele a fica sem acampados consoco na floresta num ponto onde podiamos ver a frente da casa. Próximo a uma da manhã uma caminhonete com os faróis apagados entrou pelo portão e Lindenberg desembarcou e começou descarregar seus instrumentos de tortura. Eles ficaram em completo pânico vendo o homem descarregar aquelas ferramentas estranhas. Tivemos que nos esforçar muito para conter a mulher, O homem queria sair dali imediatamente, mas conseguiam convencer eles que ficar ali escondidos era o melhor a ser feito. Queriamos trazer eles para cá, eles aceitaram, mas as coisas deles ainda estava na casa. Entao esperamos até Linderberg ir embora e na tarde do outro dia fomos juntos a casa. A noite estava quase caindo sobre a montanha e nós somos vasculhar o porão enquanto o casal terminava de arrumar suas malas. Quando procuramos por eles já tinham fugido. Soubemos que naquela noite sofreram um acidente, bateram em um caminhão, estavam desesperados para ir para longe. Ficamos tristes por terem nos enganado. Quando já iamos embora Maika lembrou que eles tinham dito que um grupo de jovens viria para passar uma semana. Decidimos entao que faríamos diferente, trariamos vocês cá antes de contar algo. O resto voces ja sabem.
- Nossa que história! - Laís disse arfando.
- Realmente uma baita história, pensei que seria um resumo, dando ênfase as partes mais assustadoras.
- Jônatas vocês precisavam saber de tudo... Mas acredite isso é o resumo da história.
- Acho que afinal temos que agradecer por vocês terem nos salvado de lá. Mas tenho uma dúvida que acho importante. - Ricardo falou apesar de estar visivelmente perplexo.
- Pode perguntar, sei que devem ter muitas dúvidas.
- Não duvido da história, não depois de andar pelos túneis e ver o porão do chalé, minha dúvida é a seguinte: Vocês não podem ter mais de vinte anos, como sabem tanto de coisas acontecidas nos últimos quatrocentos anos?
- Deixei esta parte de fora né - Ian disse sem graça - Nós somos descendentes de Luiz Gustavo Borba e Teresa Alencar.
- Eu jurava que eram descendentes de índios, apesar de não serem bem índios - Emiliy enfim se pronunciou.
- E somos também. Em nosso tataravô Guilherme Borba Alencar se casou com a linda índia Maila. - Tummin respondeu orgulhoso.
- Por isso você se chama Tummin e a Pequena Maika?
- Mais ou menos Henry, na verdade meu nome é Tomás Tibiriça Borba Alencar. Nossa família incorporou o costume de usar um novo indígena, mesmo tendo um nome de homem Branco. Agora o da maninha é Maika mesmo. E todos me chamam de Tummin mesmo.
- O meu nome indígena é Tumkun, mas se preferirem podem me chamar de Ian mesmo.
- Legal!
- Mas não esqueçam que enquanto estamos falando de histórias antigas Lindenberg esta também tentando entender como duas de suas tentativas falharam. Se vocês entenderam bem a história que contei já devem imaginar que ele vai perceber que a vila tem algo a ver com isso.
- Como ele pode creditar tais fracassos a uma vila vazia?
- Emily está vila é tudo menos vazia, nos descendentes dos Borbas e Alencar cuidamos dela que é nosso Museu e lembrança do trabalho de nossos antepassados. Na década de 70 São João do Maraca tinham crescido muito e tinha uma ótima infraestrutura, enquanto a vila tinha se mantido intocada.
Os descendentes das famílias do início ainda moravam aqui como inquilinos de nossa família. Nossos avós acharam que era hora deles terem um lugar que realmente fosse deles, então os indenizou pelos anos cuidando de nossas terras e hoje todos moram em São João, onde nós moramos também é nosso pai é o prefeito. A vila da Boa Esperanjça foi considerada como a vila mais bem conservada desde o tempo da colonização. É patromonio público, apesar de ainda ser nossa propriedade.
- Então você acha que ele vai saber que sua família está envolvida.
- Ricardo, eu tenho certeza que sim, mas estamos prontos para isso. Como eu disse meu pai é prefeito de São João, e a policia precisa de provas para pegar ele. Mencionei que ele é o último descendente de August Lindenberg? Mas Bruno Lindenberg tem um descendente muito gente boa, que por acaso é pai da minha namorada. Todos estão esperando que ele deslize para pega-lo. Mas para isso precisamos que vocês sejam nossas iscas.
- Vocês querem que a gente volte ao Chalé para dar de cara com um maníaco que quer nos torturar?
- Não, tudo já está preparado aqui, tudo que precisamos é que vocês entrem em contato com ele é diga que saíram para explorar a floresta e acabaram se perdendo na Mata, depois de andar muito chegaram a uma Vila abandonada. E como ele é a única pessoa que vocês conhecem que também conhece este lugar vocês precisam da ajuda dele. Diga que vocês estão na maior casa da vila. Ele vai saber qual é... E virá com certeza, só precisamos torcer para que traga seus instrumentos de tortura. E ai sim queremos que vocês se encontrem com ele. Há policiais nas casas ao redor e nossos amigos e familia estão espalhados por ai.
- E se o plano de vocês der errado?
- Laís lembre-se que vocês terão o suporte da Polícia e das três famílias mais ricas da região. Vai dar certo!
- Podemos recusar?
- É claro que podem recusar e ir embora, mas vocês vão conseguir estar em casa em paz sabendo que ele pode estar torturando e matando outras pessoas?
- Não vamos! O que temos que fazer?
- Esperamos ele antes do anoitecer de amanhã. Seria bom que soubéssemos quem ele vai desejar torturar primeiro. A Polícia acha que ele vai preferir liquidar as potenciais ameaças, ou seja aquele com quem ele se sentir menos seguro da cooperação. Precisamos que um de vocês bata de frente com ele desde o início, que faça ele pensar que pode colocar os planos dele a perder. Algum voluntário?
- Eu! - Jônatas disse prontamente
- Eu! - Ricardo disse quase junto.
- Mano eu vou, afinal você já sofreu muito com o sumiço da Emily. Fique tranquilo com ela agora.
-Tudo bem, mas vamos cuidar de você.
- Sei que vão Mano... Mas vamos seguir o plano deles.
- Certo!

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