O CHALÉ | CAPITULO 2: A VISITA

A Visita


A luz amarelada do amanhecer banhou a enorme montanha antes mesmo que os amigos pudessem despertar. Não havia galo para cantar na madrugada, nem mesmo qualquer outro animal ou pessoa para fazer barulho para desperta-los. A noite anterior tinha começado carregada de tensão e medo, e nem mesmo o final calmo tinha conseguido tirar totalmente a impressão ruim que tinha ficado. A manhã foi aos poucos chegando e sendo aquecida pelos fortes raios do sol que reinava absoluto no céu. Henry foi o primeiro a despertar quando o relógio marcava às nove horas da manhã, e logo saiu pra fazer uma caminhada pelos arredores esperando conhecer um pouco mais sobre aquele lugar, e quem sabe encontrar lugares interessantes para compartilhar com os amigos quando acordassem. Saindo pela porta da frente do chalé ele se deparou com o lago a sua frente, pela esquerda ele sabia que o lago não ia muito longe, afinal aquela era a direção pela qual eles tinham chegado, ele não tinham visto qualquer sinal de água pelo caminho. Então se fosse seguir beirando as águas ele teria que ir para esquerda. Ainda saindo da casa ele via uma parte da mata que vinha de trás da casa, olhando dali a floresta parecia muito fechada e de difícil acesso, e eles não tinham trazido qualquer equipamento para desbravar matas fechadas. Então seguido seu extinto e a logica que do que seria mais fácil e menos arriscado em questão de se perder, ele resolveu seguir o curso do lago Mannica. Tomou o cuidado de pegar uma garrafa de água e um boné para se proteger do sol. E foi muito devagar seguindo pela borda do lago, ás vezes pegando pequenas pedras para lançar na água fazendo com que quicasse varias vezes na superfície. Ele estava caminhando despreocupadamente por quase uma hora quando avistou uma pequena construção a alguns metros do lago dentro da mata. Ela estava incrivelmente bem conservada, mas apesar dele ter ficado algum tempo observando o local não viu qualquer indicação que fosse habitada ou que alguém estivera por ali nos últimos dias. O acesso seria difícil para carros e não havia animais de pontaria por perto, então ele concluiu que tivesse sido abandonada há pouco tempo, ou fosse outra casa de aluguel que não estava ocupada. Apesar da curiosidade não se aproximou muito, porque teve a estranha sensação que não era para ele estar ali, e lembrou-se claramente de sua mãe lhe dizendo que mexer com o que não é da sua conta, só pode trazer problemas não são seus, mas que irão atormenta-lo por um longo tempo. E quando olhou para o relógio percebendo que já que já era quase onze horas, e os amigos e a namorada já deviam estar acordados e procurando por ele, toda a curiosidade pode esperar pra outra hora. Ele refez o caminho seguindo o percurso do lago, até encontrar Matheus e Ricardo que viam a sua procura.

- Mano a Tiffany pirou quando não te encontramos em nenhum lugar da casa.
- Todos estavam dormindo, e eu pensei em caminhar um pouco e tentar achar algo interessante.
- E encontrou? Porque sua namorada esta muito nervosa. Você vai precisar de uma boa história para acalma-la.
- Só uma pequena casa, a mais ou menos há meia hora daqui. Mas esta vazia, e parece que esta assim por muito tempo.
-Definitivamente esta não é uma boa história pra contar pra ela e faze-la esquecer do susto que levou. Pode tentar incluir monstros gigantes e vampiros assassinos – Ricardo falou tirando uma com a cara do amigo.

As garotas arrumavam a mesa do café da manhã quando os três garotos chegaram. Tiffany estava abrindo alguns pacotes de biscoitos, e Henry lhe deu um beijo no rosto. A garota pareceu não notar a presença do namorado, ou o beijo carinhoso. Ele começou a explicar:

- Acordei muito curioso sobre este lugar. Tipo tem estas ruinas logo ali, então deveria ter outras coisas por perto e tal. Resolvi dar uma caminhada por ai, e fui seguindo o lago na tentativa de encontrar alguma coisa no caminho. Poxa, mas este lugar é realmente isolado.

- E achou algo interessante? Ou só serviu pra nos deixar preocupados?
- Na verdade depois de andar muito encontrei uma casa, muito menor que esta. Pensei que podia ser onde o dono deste lugar estava, mas não havia ninguém nela.
- Então você foi até a casa e simplesmente bateu na porta. Tipo ontem a noite tinha alguém dentro do chalé, e hoje pela manhã você resolveu desbravar a mata e tentar fazer amizade com os supostos moradores de uma casinha no meio do nada.  – Tiffany falou nervosa, colocando com força o prato com os biscoitos na mesa.
-Fanny fique calma!  Eu sei que você acha que viu algo na janela ontem, mas deve ter sido mesmo o vulto de uma cortina, ou qualquer outra coisa. Não tinha sinais de ninguém aqui dentro.
- Eu sei o que vi, e se nem mesmo meu namorado acredita em mim. Estamos mesmo mal não é?
- Não, não estamos. Eu sei que viu algo, só disse que não foi uma pessoa. Talvez tenha sido este negocio de por chapéu. Isso bem que parece uma pessoa de longe.
- Hum! Vamos tomar café. Precisamos dar um jeito de comprar mais suplementos, só trouxemos guloseimas, e ainda temos seis dias aqui.
- Depois do café podemos ir naquele mercado na estrada, não fica tão longe... As garotas podem ficar aqui se preferirem.
- Nem ferrando eu fico aqui sem vocês – Maria Eduarda falou quase sem pensar – A Fanny viu algo aqui ontem, e pode ter sido alguém sim... Vamos todos!

O trajeto até o supermercado pareceu bem maior do que eles se lembravam. Então resolvemos exagerar nas compras, pois era melhor pecar pelo excesso e não ter de fazer aquele percurso novamente, do que ter de voltar de perder mais horas de diversão. A atendente era a mesma do dia anterior, e ficou surpresa em revê-los tão rapidamente.

- Nossa ninguém retorna aqui tão rapidamente. Vocês não iriam passar uma semana numa montanha ou algo assim?
- Nós vamos, mas precisamos de mais coisas pra passar tanto tempo por lá.  – Emily respondeu
- Tiveram sorte, nos próximos dias estaremos fechados. Só reabriremos na próxima semana.
- Ainda bem que viemos agora então. Eu me chamo Emily Munhoz!
- Clarice Leite. Prazer!
-Prazer! Agora é melhor nós irmos, temos muitos quilômetros até nosso chalé.
- Vocês estão no Chalé Linderberg?
- Sim, você conhece o lugar ou o dono? Ele é bem misterioso!
- Não, eu nunca fui lá, nem conheço o dono, mas meio que... – Clara se calou no meio da frase.
-Meio que?
- O cara é dono da maioria das terras daqui até uns 40 km. Todos já ouviram falar dele, mas ninguém nunca viu.
- Só isso? Tem certeza? Você me pareceu preocupada!
-É que houve um acidente ontem, com um pessoal que estava hospedado no mesmo chalé que vocês.
- Aquele carro que bateu de frente com o caminhão, na contra mão?
- Sim!
-Meu Deus do céu!
- Foi uma tragédia de verdade.
-Foi sim, preciso ir! – Emily se afastou sentindo-se meio enjoada em lembrar-se do sangue que vira no acidente.

No caminho de volta ela contou para os amigos tudo que conversará com Clara.

- Vocês não acham estranho que alguém que tem tantas terras e dinheiro alugue chalé por alguns trocados? –Ela comentou quando já chegavam ao topo da montanha.
- Não, eu não acho tão estranho quanto o portão estar aberto quando tenho certeza que vi o Matheus trancando ele.
- E eu tranquei mesmo Jon.
- Pois alguém o abriu. Será que foi o dono que resolveu dar as boas vindas?
- Que merda véi! Melhor as garota ficarem na Kombi.- Henry sugeriu
- Jonatas este estaciona na frente da porta... Conforme for nem descemos neste lugar.
- Tem razão amor!

A porta estava escancarada. E as luzes estavam acessas! Eles ficaram ali olhando pelas janelas da Kombi procurando por sinais de visitantes indesejados. Qando de repente Maria Eduarda quase gritou.

- Vi uma criança entrando na mata.
- Onde?
- Ali – a garota indicou com o dedo

Jonatas seguido de Henry e Ricardo saiu correndo da Kombi em direção ao lugar indicado pela garota, antes mesmo de ouvirem as namoradas pedirem para ficarem com elas. Caio tornou a fechar a porta, apesar da vontade de correr com os amigos. Ele e Matheus agora tinham que cuidar delas até o retorno dos outros garotos. Os três se entraram na mata ainda correndo.

- Caio você fica com as garotas, vou ir a casa e ver se podemos entrar, não podemos ficar presos aqui, ainda mais se tivermos visitas. Se estiverem mal intencionados devemos poder revidar...
- Beleza, eu cuido das garotas. Vamos fazer igual ontem à noite. Duda você fica na direção. As outras procurem algo pra nos defender. Matheus leva a chave de roda, e qualquer coisa grita que corro pra lá.

As garotas argumentaram que era melhor que todos ficassem juntos, mas acabaram convencidas que na Kombi eram alvos fáceis demais.

Matheus entrou devagar na casa!

Dez minutos passaram-se... Vinte minutos... Meia hora e ele ainda não havia retornado. Os garotos também não voltavam da mata. A tensão na Kombi não abaixava em nenhum momento. Uma parte dos ocupantes olhava para a mata e outra para a porta do chalé. Ao completar quarenta minutos Matheus apareceu na porta e fez sinal para eles saírem da Kombi. Caio e as garotas agarraram as sacolas de compras e foram rápido em direção a casa. Alice abraçou o namorado e foi se juntar as  sentando no sofá enquanto os garotos trancavam a casa.

- Não vou mentir alguém esteve aqui hoje, talvez seja a mesma pessoa que a Tiffany viu ontem. Sei lá, quando entrei não vi ninguém por aqui, mas tem algumas pegadas pela casa. E o quarto das meninas está meio bagunçado. Acho que tinha alguém dormindo lá ou só deitado. Então pode ser só um invasor cansado. Que se assustou com o barulho do carro chegando. A Duda viu uma criança então bem que pode ser isso mesmo. O engraçado é que descobri que aquela porta trancada no fundo do corredor é a estrada de um porão, e por acaso agora a porta esta aberta, mesmo que não tenhamos a chave, eu desci lá, mas não andei muito. Mas é bem grande. Vamos esperar os outros chegarem.

- Por isso que você demorou tanto? – Alice perguntou para o namorado
-Queria ter certeza que não tinha mais ninguém aqui.

Uma hora depois batidas foram ouvidas na porta! A tensão que tinha abaixado um pouco, novamente atingiu níveis alarmantes. Ninguém se moveu do sofá! Mais batidas fortes na porta. Caio começou a se levantar, mas Emily o segurou pelo braço. Ninguém se moveu.
- Caio... Matheus? Vocês estão aí?  Estão bem?

Eles reconheceram a voz de Jonatas.

-Estamos sim, um minuto. - Caio se desvencilhou das mãos de Emily e abriu a porta pros amigos.

As garotas se apressaram em ir pra junto dos namorados recém-chegados. Matheus contou o que aconteceu por ali e os amigos relataram sua incursão na mata.

- Não conseguimos alcançar quem entrou na mata, nós podíamos ouvir os barulhos que fazia, mas não víamos nada, mas corremos muito de verdade, mas era como se a pessoa sempre corresse mais que nós. Mas claramente tinha alguém fugindo de nós. E aí do nada nos vimos em um pequeno cemitério muito velho, com lapides de mármore com nomes de famílias estrangeiras e anjos de pedra. A família do Florêncio Schmidt tem um dos maiores túmulos do lugar. Que é de arrepiar de verdade. Tivemos que desistir da caçada, não encontramos nada!

- Acho que o Matheus esta certo, devia ser um viajante cansado ou um índio que invadiu a procura de descanso e comida. – Ricardo ponderou
 - Neste caso ele teve de se contentar com biscoitos e suco. – Emily tentou fazer graça.
Caio que não era tão facilmente convencido, mas não queria trazer alarde para os amigos ficou com um pensamento na mente:


“Como uma criança andarilha ou índio errante poderia ter a chave do portão, e da casa?” 


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