A procura da Paz

O cheiro acre vindo de uma fabrica próximo, invadia o pequeno quarto do hotel de beira de estrada. Enquanto o sol oferecia seus primeiros raios mornos. O quarto era deprimente mobiliado com objetos que pareciam saídos de algum brechó fúnebre de muito mau gosto.  O aspecto sem vida do quarto não parecia incomodar o sono do rapaz que estava deitado atravessado na cama que parecia prestes a ceder sob seu corpo. Ele dormia demonstrando uma placidez enorme no rosto. O relógio analógico pendurado na parede estava marcando dez horas e quarenta minutos quando o primeiro verdadeiro sinal que ali havia alguém vivo foi dado. Aparentemente o cheiro tinha vencido o torpor do sono, fazendo com que ele espirrasse fortemente e despertasse sem demora. Ainda desejando continuar na cama, sem perceber ao certo onde se encontrava, ele se levantou se foi à janela. Lá fora apenas a estrada se mostrava, a vizinhança do hotel se resumia duas casas muito antiga e de aparecia pouco convidativa e uma fabrica de insumos agrícolas. E a rodovia pela qual ele horas antes estava a viajar.

Ele nunca fizera o estilo espirito livre aventureiro, que coloca uma mochila com poucos suprimentos na porta mala do carro e pega a estrada sem rumo. A vida dele precisava de planejamento e regularidade, afinal até ali tudo tinha saído como o planejado, ou melhor, quase tudo. Uma semana antes as coisas pareciam que não encontravam mais o lugar devido. Sua noiva pediu um tempo para repensar o relacionamento. No trabalho a promoção que tanto buscara e tinha como certa, tinha sido dada a outro menos experiente. A única coisa boa que ainda lhe restava era os tios que o haviam criado depois da morte dos pais, quando tinha oito anos, mas até eles estavam longe, mas isso ele não deixaria que lhe fosse tirado, então decidiu pedir licença do cargo que não lhe cabia mais no trabalho. Pegou o carro recém-comprado na expectativa da promoção, e deu adeus a São Paulo, indo em direção a João Pessoa, na Paraíba, sua terra natal e onde os tios moravam.

Ele nunca tinha dado credito a esta coisa que todos falam sobre o poder libertador de pegar a estrada.  O poder de clarear a mente e ajudar a resolver as neuras, mas depois de um tempo na estrada ele simplesmente foi invadido por uma enorme sensação de liberdade. Sua mente ainda estava cheia de pensamentos sobre as coisas que perderá, como a noiva que tanto amava e a posição profissional pela qual tanto tinha se esforçado para conseguir, mas de alguma forma estar ali sozinho no carro seguindo acima dos cem quilômetros por hora em uma estrada desconhecida fez com que ele fosse invadido por esta enorme paz.  E impulsionado por esta sensação ele dirigiu por horas a fio até que a noite graduou alta e o sono quis domina-lo, só então ele olhou as horas e percebeu que já era quase uma hora da manhã. E assim ele parou naquele hotel deprimente.

Ele tomou uma ducha no banheiro do quarto e foi fechar a conta na recepção do lugar, segundo o atendente ele teria que pagar duas diárias, porque ás dez da manhã a pernoite havia acabado e iniciado a nova diária. Ele não se importou com isso, afinal a diária ali era extremamente barata e não tinha porque brigar. Logo ele tinha se retirado para a estrada esperando chegar ao destino antes que tivesse sono novamente.
Ele deixou João Pessoa para viver o sonho dourado em São Paulo, desde que muito novo demostrou muita inteligência e sagacidade, então não foi difícil para ele se destacar entre a multidão de jovens universitários com o enorme sonho de vencer na vida. E logo ele começou a colher os frutos do empenho nos estudos e no trabalho.

Quando os primeiros contornos da vida começaram a aparecer no horizonte, a sensação de estar em casa se juntou a outras boas sensações que ele já sentia. Todos os problemas que tinha em São Paulo, não tinham sumido, mas estavam muito menores diante da grandiosidade do mundo.  Já no portão da casa dos tios ele pode sentir o cheiro gostoso do café da tia e do bolo de fubá, parecia que ela tinha adivinhado que ele estava chegando e fez a coisas que ele mais gostava.


Não tinha certeza de quase nada na vida, mas que estar com quem se ama é o mais importante da vida, ele nunca duvidou em  toda sua vida.

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